sexta-feira, 18 de maio de 2012

EU SONHO DE MAIS


Por: Kelly Rocha

Fiquei horas tentando entender a carência de algumas pessoas. As pequenas mentiras que contam. As histórias que fantasiam em silêncio ou pelos quarteirões e suas conclusões. É claro que não entendi nada, mas pensei bastante.

Eu sou daquelas pessoas que abraçam, que abraçam muito. Já dei muitos telefonemas, hoje em dia só recebo. Tenho muitos assuntos, mas poucas palavras, e um pouco da carência que eu sinto está indo embora aos poucos, deixando só o suficiente.

As mentiras ainda conto, mas nada muito cabeludo. Mentirinhas curtas para sair de alguma situação chata, essas coisas. Fantasio histórias. Coloco algumas em papel e guardo outras em alguma gaveta escondida do meu cérebro. Passo dias tentando achar soluções e finais para tudo.

Acredito que o bom da vida é ter sonhos. Eles são o tempero de tudo, a graça, a cor. É, eu sonho tanto. Misturo tudo com realidade. Sonho, e sonho sem parar. É sonho de festas, de bolos de chocolate, de salão, estrada vazia, sorvete de morango, chuva todos os dias na hora de dormir, céu de estrelas, lua nova hoje, lua cheia amanhã, beija-flor no quintal, um amor perfeito aqui, uma roseira carregada ali. Um sonho de verão, um presente de Natal todo mês, sorriso de criança, leite condensado e morango. Acho que todo sonho é doce. Se não for assim, não é sonho. É qualquer coisa, menos sonho.

Mas por que mesmo eu disse tudo isso? Ah, claro! Porque carência e sonho têm tudo a ver. O sonho alimenta a alma, ele vem e nos recarrega, cativa vários sorrisos em meio a suspiros. Quanto mais sonhamos, mais nos sentimos vivos, mais nos sentimos abraçados. E, se sonhamos direito, cabemos direitinho nele. E aí eu me pergunto: pessoas carentes sonham de mais, ou sonham de menos?

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